AI & Image Creation (PT-BR)
Gostaria de ler diretamente no Medium?
Acesse: https://medium.com/@dai.martinsouza/simples-diferen%C3%A7as-entre-o-anal%C3%B3gico-e-a-ia-no-contexto-da-cria%C3%A7%C3%A3o-de-imagens-f045c16b9618
Aqui destaco pelo menos duas maneiras diferentes de ver o mundo: a presença e o virtual. A presença refere-se à experiência direta e física, com o corpo presente, e à percepção não controlada que os outros têm de mim. Já o virtual é um pouco mais controlado, por ser mediado por um aparelho com intencionalidades mais fáceis de serem analisadas. No entanto, o virtual tem oferecido cada vez mais recursos para ampliar essa outra realidade, que já reconfigurou nossa forma de ver o mundo e de nos organizarmos.
Queria trazer essa reflexão para o campo da imagem. Recentemente, fiz um desenho em grafite como estudo de perspectiva, luz e sombra. O objetivo era que o desenho parecesse o mais realista possível, pois se tratava de um estudo de percepção que envolvia métrica e medições precisas, técnicas no uso dos materiais, e muito estudo com diversos artistas, mas com pouca margem para a interpretação além dos limites da referência.

Um singelo estudo meu de desenho realista
Longe de ser um desenho que possa ser considerado “quase perfeito”, ele me serve para observar “falhas” que tornam o processo de aprendizado significativo. Percebi que a escolha do papel é fundamental para ter uma noção real dos defeitos versus algum pigmento que não foi possível corrigir. Alguns detalhes, como as texturas dos olhos e da boca, poderiam ser mais trabalhados, entre outras coisas.
Para mim, meu desenho está perfeito, pois é isso que se espera de um trabalho manual: o charme das linhas, o tempo investido, o processo de aprendizado e a singularidade da pressão que cada um imprime em seu trabalho naquele momento.
Então, coloquei a mesma referência na IA, que para mim era assim:
“An Arab woman drawn with graphite pencil, wearing a headscarf, looking at the camera, against a white background, using techniques of realistic observational drawing.”
Utilizei os sites do leonardo.ai e do imagine.art para obter uma nova interpretação que os bancos de dados de ambos iriam me trazer, e obtive, entre outros (muitos outros!), este resultado:

Aqui, a imagem está literalmente perfeita.
Um humano poderia replicar essa imagem? Certamente, há pelo menos algumas centenas de anos. O que ocorre é que essa imagem perfeita tem um certo propósito. Esse propósito, que é um grande debate entre designers é entender por quê essas coisas são úteis. Até pouco tempo, eu imaginava que um bom design era isso: imitar o mais fielmente possível a experiência que temos no mundo (com a tal heurística de Nielsen e a compatibilidade entre o sistema e o mundo real).
A lei serve em muitos casos, é uma verdade. Ao mesmo tempo, é também uma verdade que apenas imitar sem um propósito não realiza nada. Muitas vezes queremos apenas executar um trabalho de maneira excepcional, sendo que este “excepcional” nem sempre é replicar algo no mundo virtual que já exista no mundo físico.
Abro aqui esta reflexão para que pensemos que a tecnologia mudou a forma como nos relacionamos e que continuaremos nessa constante mudança. Enfrentamos muitos dilemas em relação a isso e sempre fui da opinião que é melhor entender mais ou menos o que está acontecendo e ver se existe algum ponto de contribuição (quando mau) ou de falha (quando bom). Nessa perspectiva, entendo que o design de UX é, principalmente, como nos relacionamos com os dispositivos, sendo que eles acabam por intermediar muitas de nossas ações e isso acaba moldando um pouco nosso comportamento.
Queria que fizessem comigo esse exercício de contexto. Esses são alguns estudos que fiz seguindo mais ou menos o mesmo prompt. Pensei nessas imagens com um possível enredo de uma mulher árabe, disposta a ter voz em sua comunidade, falando a uma multidão, numa praça pública. Tentei algumas técnicas diferentes como nanquim, desenho realista colorido, sobreposição de papéis (colagem).


